Fenômeno tìpicamente carioca, o nosso 1.900 literário criou um singular espécime intelectual: o escritor boêmio, contador de anedotas. Na verdade, mais contador de anedotas que escritor. Poeta e romancista que jamais escreveriam um só livro ganharam fama em tôrno de mesas de chopes e salgadinhos, na Colombo e na Pascoal. Para que publicar livros? Bastavam os projetos. Quando muito assinavam uma crônica ou perpetravam um sonêto, para mostrar que tinham talento. Livros, crônicas e sonetos pouco ou nada acrescentavam à prestação de contas antecipada com a posteridade, já que a literatura não passava de coisa mais ou menos irresponsável, ofício de malucos e desocupados. A arte era desinteressada. Que brilhassem, pois, à vontade, as estrêlas de um Paulo Nei e de um Emílio de Meneses nos círculos fechados dos cafés e das confeitarias, com muita cerveja e alguma empadinha, por entre risotas e o frou-frou roçagante das belas francesas e polacas, importadas no começo do século.
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Não há dúvida que êsses dois momentos — a Confeitaria e a Academia — como que simbolizavam o panorama do nosso 1.900 literário. De um lado, a consagração da anedota. Do outro, o apogeu do convencionalismo.
Francisco de Assis Barbosa. “Prefácio” (In: Recordações do escrivão Isaías Caminha, 1961).